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Por João Mascarenhas

Notícias

172 anos do enforcamento de Lucas da Feira

26 set 2021

| 18:49h | Notícias
 172 anos do enforcamento de Lucas da Feira

LUCAS DA FEIRA o Lucas Evangelista faz 172 anos condenado a pena de morte foi enforcado em 25 de setembro de 1849. Filho de escravos Inácio e Maria, nasceu em 18 de outubro de 1807 na Fazenda Saco do Limão, Lucas pertenceu a principio a Ana Pereira do Lago e por falecimento desta, madrinha do Padre José Alves Franco, que herdou a fazenda com todos os escravos inclusive Lucas. O Padre José Alves, observando que Lucas não queria se adaptar ao trabalho na lavoura, o encaminha para aprender a arte de carpina. Lucas se nega ao aprendizado fugindo várias vezes. Sua rebeldia era constante e por várias vezes era punido com chicotadas, preso ao mourão, sem alimento e sem água. Entre os 18 aos 20 anos, Lucas resolve fugir para as matas, e para sobreviver começa a fazer pequenos furtos, a praticar assaltos e assassinatos. E pela sua liderança, forma um bando do qual fazem parte escravos fugidos de outras fazendas: Nicolau, Bernardino, José, Flaviano, Januário, Joaquim, Manoel e outros. Em busca da sobrevivência e do bando, assaltavam fazendas, engenhos, pessoas que transitavam pelo seu caminho, estupros, e nos confrontos, aconteciam algumas mortes. Os fazendeiros e donos de engenhos, sentindo prejudicados e ameaçados, solicitam ajuda do governo da Província, que foram atendidos através da publicação do Edital de 3 de maio de 1846, onde constava um premio de 4 contos de réis a quem prendesse Lucas. A perseguição é intensa e o bando de Lucas começa a ter baixa, seus companheiros iam sendo presos, espancados e mortos: Nicolau e Flaviano foram enforcados. José Pereira Cazumbá que se juntou ao bando por ter praticado um crime, e para receber o indulto, autoriza o ex-sogro a fazer acordo com o Juiz de Direito da Comarca, e com o delegado do termo Dr. Leovigildo de Amorim Filgueiras, que de imediato aceitaram o acordo da traição. Cazumbá procura Manoel Gomes inimigo de Lucas, e lhe promete a metade do premio caso prendesse ou matasse Lucas. Ambos se metem pelas matas, dia e noite, e terminam por descobrir o esconderijo de Lucas, no lugar denominado Mochila, quando eles engatilham a arma, desperta a atenção de Lucas que virando para se defender, é atingido no braço esquerdo, a arma cai de suas mãos e foge pela mata adentro, deixando um rastro de sangue. Baleado daquela inesperada tocaia, Lucas pede ajuda ao amigo Antônio Pedreira, morador na Tapera para cuidar do ferimento. Cazumbá volta a Vila da Feira de Santana, dando o alarme aos soldados e civis, que Lucas foi atingido e se encontra ferido. No dia 28 de janeiro de 1848, José Pereira Cazumbá e Manoel Gomes, são informados de que Lucas se encontra escondido em uma cabana de palha, no fundo da Fazenda Tapera próximo do Rio Jacuípe, e vão ao seu encontro. Pressentindo a aproximação de seus perseguidores, Lucas mesmo ferido, tentou fugir e é atingido por um tiro, que se aloja precisamente no ponto onde dias antes penetrara a bala. Lucas cambaleia, sendo alcançado e preso por Cazumbá e seus companheiros. Amarrado a uma rede improvisada, Lucas é levado para Feira de Santana. No dia imediato o braço esquerdo é amputado. Lucas foi julgado na Vila da Feira de Santana, em l° de março de 1848. O Júri, após ouvir o réu, as testemunhas e ter analisado o processo, por unanimidade julgou e condenou a pena de morte, pelos crimes cometidos (assaltos, estupros, roubos e assassinatos). Em seguida Lucas é removido para a capital, onde fica recolhido à fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo. Confirmada a sentença do Júri da Feira em 12 de setembro de 1849, volta Lucas a Vila da Feira de Santana, a fim de ser enforcado pelos crimes que cometeu, e no dia 25 de setembro de 1849, foi enforcado no Campo da Gameleira, Praça D. Pedro II, popularmente conhecida como a Praça do Nordestino.


Pelos seus feitos criminosos, Lucas tornou-se personagem da literatura, até mitificado, como se fosse um Robin Hood sertanejo, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Por ser negro, também tentam transformá-lo em símbolo de luta contra a escravidão.

Ele foi retratado em "Lucas, O Demônio Negro", romance folclórico de Sabino de Campos, em 1957, no "ACB de Lucas da Feira", cordel de Souza Velho, e em "Lucas, O Salteador", de Virgílio Martins Reis e Artur Cerqueira Lima.

A maior obra - inclusive em tamanho - das artes plásticas feirenses é "O Flagelo de Lucas" (Foto: Reprodução), tela pintada por Carlo Barbosa, que pertence ao Município e está emprestado ao Museu Regional de Arte, do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca).

O bandido Lucas da Feira nunca foi retratado no cinema brasileiro, que é tão afeito a personagens do cangaço e bem voltado para personagens marginais e bandidos. O cineasta feirense Olney São Paulo até que tinha projeto de fazer um filme sobre Lucas, mas morreu antes de concretizar o intento, "Para findar o meu destino".


Pesquisa/ NÚCLEO DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA FEIRENSE - ROLLIE POPPINO / Jornalista Dimas Oliveira






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